Eu já fiz várias mudanças de casa e de cidade, mas foi somente
recentemente que percebi o quanto de coisas acumulamos e que em geral não usamos
e nem sabemos que temos...
Foi uma surpresa quando ao desmontar minha casa há quase 5 anos
eu percebi o quanto tinha acumulado. Eram coisas que nem lembrava que tinha,
outras que guardava para se caso um dia eu precisasse – e lógico esse dia nunca
chegou, outras que pouco usava, ou totalmente desnecessárias.
Quando fiz a última mudança eu já tinha acumulado bem menos, fui
fazendo muitas doações, desapeguei mesmo, a quantidade de coisas diminuiu muito,
mas ainda assim os casos anteriores se repetiram. Fica o aprendizado de praticar
continuamente o desapego e parar de acumular.
E assim como fazemos com coisas materiais, naturalmente fazemos
com sentimentos, ressentimentos, mágoas, expectativas, sonhos, ilusões, entre
outros. Vamos acumulando, e sem perceber nosso campo emocional vai sendo preenchido
com conteúdo que não necessitamos, que não percebemos e que não tem utilidade
nenhuma. E isso vai ocupando espaço, que poderia ser preenchido com sentimentos
altruístas, novas ideias, novos aprendizados, novas metas e sonhos.
Que neste final de ano possamos fazer uma reflexão do que temos
acumulado nos últimos tempos, seja de coisas materiais ou emocionais e praticar
um profundo desapego de tudo que é desnecessário para nossas vidas.
E ao mesmo tempo, que possamos colocar nosso foco naquilo que
realmente é importante nas nossas vidas. E que pode não ser os bens materiais
acumulados, nem as mágoas, rancores ou similares.
Através da meditação, da auto-observação, do autoconhecimento podemos
começar a ter uma percepção verdadeira do que realmente é importante e
necessário.
Observando as pessoas que nos incomodam também, pois por mais
que negamos que temos algo em comum, é justamente aquilo que nos incomoda nos
outros que temos que trabalhar em nós mesmos.
E que toda essa observação possa ser feita com muita graça,
leveza, suavidade e amor incondicional.
Com amor,
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 23 de
dezembro de 2014.

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