Uma das questões mais frequentes nos atendimentos e na nossa vida
é em relação à comunicação, ao que é dito, do modo como é dito e principalmente,
aquilo que não é dito.
Muitas pessoas não sabem como se expressar, e eu me incluía nessa
lista. Em geral ficam engolindo sapos, se fecham, esperam que os outros ‘adivinhem’
seus pensamentos, ou que a situação se resolva por si, sem que nada tivesse
sido esclarecido ou feito
Outras pessoas, ao contrário, quando se expressam é com raiva,
impaciência, falta de jeito, aos gritos, com palavrões, falta de respeito e de
outras maneiras grosseiras.
Alguns não falam nada para não contrariar a pessoa próxima, em
geral pessoas em uma hierarquia mais elevada, um companheiro/a, pais e até
amigos que de alguma forma temem ou acham que são superiores.
Porém independente da forma que se manifesta a falta de comunicação
e expressão esta sempre causa muitos problemas e quando esta situação perdura
por muito tempo, invariavelmente alguma doença se manifesta. As mais
tradicionais são questões ligadas à garganta (não falar ou engolir os sapos),
coração (falta de amor e respeito por si), estômago (a situação não é
digerida), mas também podem se manifestar de outras formas, conforme o ponto
fraco de cada pessoa.
Atendo muitas pessoas com reclamações quanto aos companheiros/as
e invariavelmente as queixas não são faladas aos parceiros. Sempre pergunto se
a pessoa já falou da mesma forma como me explica a questão com seu parceiro/a e
a resposta em geral é um ‘não’. Quando pergunto o porquê existem várias
explicações, e muitas vezes as pessoas não percebem que são que elas estão com
uma questão em relação a expor o que realmente pensam e como se sentem.
E isto é muito comum, fomos ensinados a manter as aparências, a não
mostrar nossos sentimentos, por proteção ou outros motivos, ou então a
respeitar o outro além de nós mesmos. Há inúmeras causas.
Mesmo que as causas não sejam conhecidas, este é um grande e
constante aprendizado a todos nós: o de aprender a falar o que sentimos e o que
pensamos de forma calma, tranquila e clara. Nem nos omitindo e nem sendo agressivos,
mas sabendo colocar nosso ponto de vista ou sentimentos em relação à situação
de modo claro.
Assim temos grandes chances de resolver e evitar muitos mal entendidos,
situações indignas, que nos incomodam, preocupam, nos fazem sentir mal ou
desrespeitados.
Da mesma forma, também é um aprendizado aprender a ouvir o que o
outro tem a nos dizer de forma aberta, sem escapar, sem defesas e contra
argumentos também agressivos que podem manter ou piorar uma situação em vez de
resolvê-la.
Muitos mal entendidos, mágoas e sofrimentos são mantidos
simplesmente porque nada foi dito a respeito. Uma ou todas as pessoas
envolvidas omitiram seus reais pensamentos e sentimentos em relação às
situações.
Existem momentos em que os ânimos das pessoas podem estar
alterados, mas sempre há um momento ou uma oportunidade em que é possível
manter um diálogo de forma aberta e madura, em que todas as pessoas podem se
expressar de forma clara, calma e equilibrada.
Que todos nós possamos aprender a ser bons ouvintes e bons em
expressar nossos sentimentos e pontos de vista, com graça, leveza e suavidade,
sabendo que muito peso, mágoas ou mal entendidos podem ser evitados ou
resolvidos com algo muito simples: uma conversa aberta e franca.
E lembrando, esse diálogo também pode ser interno, da razão com
o coração...
Uma semana de muitas bênçãos a todos, com amor e carinho,
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 25 de janeiro de 2015.


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