domingo, 25 de janeiro de 2015

DIÁLOGO

Uma das questões mais frequentes nos atendimentos e na nossa vida é em relação à comunicação, ao que é dito, do modo como é dito e principalmente, aquilo que não é dito.

Muitas pessoas não sabem como se expressar, e eu me incluía nessa lista. Em geral ficam engolindo sapos, se fecham, esperam que os outros ‘adivinhem’ seus pensamentos, ou que a situação se resolva por si, sem que nada tivesse sido esclarecido ou feito

Outras pessoas, ao contrário, quando se expressam é com raiva, impaciência, falta de jeito, aos gritos, com palavrões, falta de respeito e de outras maneiras grosseiras.

Alguns não falam nada para não contrariar a pessoa próxima, em geral pessoas em uma hierarquia mais elevada, um companheiro/a, pais e até amigos que de alguma forma temem ou acham que são superiores.

Porém independente da forma que se manifesta a falta de comunicação e expressão esta sempre causa muitos problemas e quando esta situação perdura por muito tempo, invariavelmente alguma doença se manifesta. As mais tradicionais são questões ligadas à garganta (não falar ou engolir os sapos), coração (falta de amor e respeito por si), estômago (a situação não é digerida), mas também podem se manifestar de outras formas, conforme o ponto fraco de cada pessoa.

Atendo muitas pessoas com reclamações quanto aos companheiros/as e invariavelmente as queixas não são faladas aos parceiros. Sempre pergunto se a pessoa já falou da mesma forma como me explica a questão com seu parceiro/a e a resposta em geral é um ‘não’. Quando pergunto o porquê existem várias explicações, e muitas vezes as pessoas não percebem que são que elas estão com uma questão em relação a expor o que realmente pensam e como se sentem.

E isto é muito comum, fomos ensinados a manter as aparências, a não mostrar nossos sentimentos, por proteção ou outros motivos, ou então a respeitar o outro além de nós mesmos. Há inúmeras causas.

Mesmo que as causas não sejam conhecidas, este é um grande e constante aprendizado a todos nós: o de aprender a falar o que sentimos e o que pensamos de forma calma, tranquila e clara. Nem nos omitindo e nem sendo agressivos, mas sabendo colocar nosso ponto de vista ou sentimentos em relação à situação de modo claro.

Assim temos grandes chances de resolver e evitar muitos mal entendidos, situações indignas, que nos incomodam, preocupam, nos fazem sentir mal ou desrespeitados.

Da mesma forma, também é um aprendizado aprender a ouvir o que o outro tem a nos dizer de forma aberta, sem escapar, sem defesas e contra argumentos também agressivos que podem manter ou piorar uma situação em vez de resolvê-la.

Muitos mal entendidos, mágoas e sofrimentos são mantidos simplesmente porque nada foi dito a respeito. Uma ou todas as pessoas envolvidas omitiram seus reais pensamentos e sentimentos em relação às situações.

Existem momentos em que os ânimos das pessoas podem estar alterados, mas sempre há um momento ou uma oportunidade em que é possível manter um diálogo de forma aberta e madura, em que todas as pessoas podem se expressar de forma clara, calma e equilibrada.

Que todos nós possamos aprender a ser bons ouvintes e bons em expressar nossos sentimentos e pontos de vista, com graça, leveza e suavidade, sabendo que muito peso, mágoas ou mal entendidos podem ser evitados ou resolvidos com algo muito simples: uma conversa aberta e franca.

E lembrando, esse diálogo também pode ser interno, da razão com o coração...

Uma semana de muitas bênçãos a todos, com amor e carinho,

Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 25 de janeiro de 2015. 


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