Quem não tem vergonha nenhuma de qualquer aspecto seu? Quem não
tem vergonha de alguma parte do seu corpo? Ou de algo que disse ou fez no
passado? Ou de algo que seus pais são ou falam? Ou do modo de ser e agir de alguma
pessoa específica? E a mais moderna “vergonha alheia”?
Pode ser de modo consciente, ou totalmente inconsciente, mas a
menos que tenhamos nos trabalhado muito, o sentimento e a energia da vergonha
estão presentes em todos nós.
Muitos de nós aprendemos a ter vergonha de nós mesmos, nossas
opiniões, modo de ser, falar ou agir ou do nosso corpo desde crianças, quando
nos diziam: “você devia ter vergonha disso ou daquilo”, ou quando fomos
ensinados que tal comportamento é vergonhoso, que ser assim é “feio”. Depois
fomos crescendo e aprendendo a fazer comparações, ouvir mais opiniões, e mais
motivos para ter vergonha apareceram. Pode ser vergonha da escola onde estudou,
de não ter tido condições de seguir todas as modas, e ter tudo que os outros
têm, vergonha de não saber tanto quanto outros, de não ter talentos iguais ou
melhores do que os outros, de não ser bom o suficiente, de não ser bonito o
suficiente, rico o suficiente, e assim por diante.
E desta forma, todos foram criando mais motivos para terem
vergonha.
Mas do que serve ter e manter essas crenças e esse sentimento em
nós? Não seria muito melhor deixar tudo isso ir e substituir por amor
incondicional? Trazer aceitação e respeito por nós, por tudo que somos e temos
e assim expandir esse amor, aceitação e respeito a todos os demais?
Fomos ensinados a julgar, a nos julgar e assim condenar aos
outros e nós mesmos por todo e qualquer ‘ato falho’. Tentando seguir um manual invisível
de comportamentos e atos aceitáveis.
E por consequência, muitos perderam sua própria identidade e
características por tentar ser igual, seguir modelos e não passar nem sentir
vergonha.
Mas eis que vivemos um novo momento, o do despertar. Despertar para
quem somos e o que queremos e nesses movimentos, podemos observar e reavaliar
tudo aquilo em que acreditamos e como agimos e começar a perceber o que ainda
faz sentido e o que pode ser transformado ou atualizado, para ideias e modos de
ser que condizem com quem somos e com o que acreditamos hoje.
Isso requer boa vontade, autopercepção e auto-observação. Observar
e perceber tudo de bom que temos, tudo de bom que as demais pessoas têm e valorizar
tudo isso.
Que dia a dia possamos nos observar e nos transformar em seres mais
humanos, sensíveis, acolhedores, sem julgamentos e sem vergonha. Que possamos nos
amar e aceitar plenamente, e assim amar e aceitar todos os demais nesta
caminhada.
Com amor,
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 24 de janeiro de 2015.


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