Quantas vezes você já ouviu ou talvez até falou esta frase?
Tudo começa com algumas concessões que vão sendo feitas, em
geral para evitar um stress que já existe. E assim de concessão em concessão,
aceitando situações com as quais não mais concorda, aceitando fazer algo que
não gosta, ou aceitando deixar de fazer algo que gosta, mudando uma coisa aqui
e outra ali, e o resultado é que um lado começa a observar estes movimentos, e
começa a se questionar.
Então vem as várias explicações e justificativas quanto a
diversas e repetidas situações delicadas, e em seguida a frase acima.
E o que tem por trás desta frase tão comum e tão conhecida?
Penso que tem um sem número de expectativas frustradas e
inúmeras esperanças de que desta vez vai ser diferente, de que desta vez a
pessoa muda, e que desta vez isso ou aquilo vai acontecer. Ou então que basta
esperar um tempo, esperar isto ou aquilo e logo as coisas voltam ao ‘normal’.
Porém a verdade clara e cristalina é que nada vai mudar,
principalmente a outra pessoa envolvida. Ela vai continuar sendo quem ela é e
se comportando do mesmo modo. Até o dia que ela quiser mudar, se é que ela vai
algum dia querer. E as situações vão continuar se repetindo e a cada dia o
afeto, o respeito, o carinho vão diminuindo.
Muitas vezes uma parte insiste que a outra é que tem que mudar. E
temos aí uma grande verdade: ninguém tem que mudar e nem se transformar porque
o outro assim deseja, independentemente do tanto de amor, de boas intenções ou
outras questões envolvidas.
Pode acontecer também que com o tempo uma pessoa mudou, cresceu,
evoluiu e o outro não. Então também acontece um afastamento.
Mas quando se está numa relação onde as explicações,
justificativas, situações delicadas e esperanças de mudanças são maiores do que
o equilíbrio e bem-estar, vale muito refletir.
Refletir sobre o que se quer de verdade e que tipo de relacionamento
se deseja viver.
Refletir sobre o porquê de insistir em algo que não nos satisfaz.
Refletir em tudo que está envolvido e pesar se tudo vale o tanto
de infelicidade e tristeza que se sente.
Muitas vezes a pessoa foi tão longe dela mesma, fazendo tantas
concessões, mudando tanto para tentar agradar e fazer uma relação dar ‘certo’,
que por fim se perdeu dela mesma. Perdeu seu norte, perdeu sua dignidade,
amor-próprio, autovalor, autorespeito.
E por ter se perdido tanto, perdeu também a coragem, a força, a
confiança em si mesma de que é possível recomeçar, de que é possível viver sem uma
determinada pessoa, de que é possível fazer seus sonhos virarem realidade, mas
com uma pessoa que tem os mesmos sonhos.
Um recomeço sempre é possível, novos caminhos e novas possibilidades
são uma realidade ao alcance de todos.
Isto é uma escolha e uma decisão. E requer naturalmente coragem,
determinação e uma vontade interna firme.
Mas buscar ser feliz, buscar equilíbrio, buscar paz, bem-estar,
harmonia, respeito, dignidade e principalmente amar e ser amado faz tudo valer
a pena.
Busque amigos, peça ajuda se for o caso, mas cuide de você, cuide
de ser feliz acima e além de qualquer pessoa.
... mas eu amo ele/a...
Antes de amar ele/a aprenda a se conhecer profundamente, se
aceitar, se respeitar e se amar.
Em seguida, quando você estiver se amando, quando estiver se
reconhecendo e se sentindo inteiro e bem, naturalmente novas oportunidades
surgem tal qual a primavera depois do inverno.
Com amor e carinho, dedicado a várias pessoas, clientes, amigos
que estão passando por essa situação agora.
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 30 de abril de 2015.
* PS: a imagem mostra uma mulher se ajoelhando, mas poderia ser um homem, a situação vai além do gênero.


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