Todos nós damos conselhos e recebemos muitos também.
A questão é saber discernir a hora de falar e a hora de calar
quando se trata da vida alheia e, mais importante, o quanto levar em
consideração e o quanto relevar e principalmente ignorar daquilo que nos é
dito.
Aqui não quero entrar na questão de quão amiga uma pessoa pode
ser e nem das intenções – que devem ser observadas - mas trazer a reflexão o
quanto podemos atrapalhar ou ajudar através de um conselho e o quanto nos
deixamos levar pelos conselhos e opinião dos outros – seja ela de um amigo ou sob
a forma de imposição cultural e social.
Sempre merece uma reflexão e uma análise se uma opinião ou
conselho foi pedido ou apenas ‘achamos’ que aquilo que a pessoa faz ou vai
fazer não é de acordo com os nossos princípios. Sem falar que a pessoa tem o
direito de escolher seu caminho e viver de acordo com seus próprios valores sem
nossa intromissão. Ou que possamos ter maturidade o suficiente para mostrar o nosso
ponto de vista sem tomar como pessoal a recusa da pessoa em levar isto em
consideração. E sem levar para a pessoa algum medo ou experiência negativa
nossa que a pessoa pode nunca viver. Pois é a vida dela, e não a reprise da
nossa.
Devemos também ter muito discernimento para não seguir cegamente
a opinião ou ponto de vista de outras pessoas só porque pensamos que podem ser
mais inteligentes, mais estudadas, com mais vivências ou porque são de uma
hierarquia acima da nossa e devemos obediência e respeito.
Aqui compartilho duas escolhas pessoais minhas e que foram
totalmente contra o que minha mãe desejava para mim.
Tanto quanto decidi ir morar um tempo em Londres e anos depois
quando resolvi mudar para São Paulo ela foi totalmente contra. Todos sabem o
que isto significa e o desgaste que acompanha - mesmo sabendo que as intenções
dela são as melhores, pois pensa no bem-estar e segurança da filha,
perfeitamente natural a qualquer mãe.
Porém em ambos os casos eu segui meu coração e sou profundamente
grata, pois ambas as situações foram divisores de águas na minha vida e
caminhada.
Tive experiências maravilhosas tanto nessas quanto em outras
situações e escolhas que fiz e que eram diferentes das expectativas de pessoas
próximas.
E exatamente nesses casos devemos refletir profundamente sobre
nossas vidas e escolhas e aprender a ouvir e seguir o coração, mesmo com muitos
ao redor indo contra.
A vida é nossa e a responsabilidade pelo que fizemos ou não é
nossa também.
Quando seguimos um caminho apontado pelo outro em geral vem um
vazio, arrependimento ou ressentimento e algumas vezes inconscientemente o culpamos
pela nossa tristeza, sendo que nós fomos os responsáveis pela decisão. Sem
falar da amargura, da raiva contida, do sonho ou desejo nunca satisfeito e
vivido.
Que todos possamos ter percepção, discernimento, força e coragem
nos momentos de escolhas e seguir nosso caminho, nosso coração, nossa vontade,
nossos sonhos. Se os temos é para trazê-los a realidade e vivê-los.
Naturalmente que existem desafios, existem situações delicadas, deve
haver algum planejamento, mas por experiência e por momentos e ensinamentos
indescritíveis vividos até agora, só tenho gratidão por tudo que a Vida tem me
proporcionado. Foi infinitamente melhor que poderia ter imaginado.
E como começou? Com uma escolha, com uma decisão que vinha do
coração.
E quanto aos conselhos? Aqueles que continham dicas práticas e
positivas usei, e os outros deletei, simples assim!
Boas decisões a todos,
Com amor e torcendo pelos seus sonhos realizados,
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 16 de abril de 2015.


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