Estamos com alguns familiares enfermos, e uns naquele ciclo casa-hospital-casa.
E isso infelizmente faz parte da vida de muitas famílias atualmente. O que nos faz refletir e observar muitas coisas.
Entre elas as vontades.
Vontades daqueles que querem a cura e daqueles que querem partir.
Vontades daqueles que querem apressar e daqueles que querem prolongar a situação.
Vontades daqueles que ignoram tudo.
Vontades daqueles que pensam apenas nas questões materiais.
Poucos os que percebem o propósito de cada alma e de cada situação.
Poucos os que percebem e aceitam os propósitos do Criador.
Poucos os desapegados.
Poucos os que perdoam e se perdoam.
Poucos os que aceitam a situação.
Poucos os que aceitam as escolhas das outras pessoas.
Pouca a misericórdia, pouca a compaixão.
Pouco o amor e dedicação
E assim os caminhos ficam cinza, a vida fica cinza, sem alegrias, apenas com dores, amarguras, culpas, ressentimentos e arrependimentos.
Depois de semanas indo diariamente ao hospital, percebi em muitos que lá estão internados um grande arrependimento e um grande vazio.
Que se pudessem fariam muitas coisas bem diferentes e outras deixariam de fazer.
Mas pode ser diferente. Podemos a qualquer momento fazer uma nova escolha que muda tudo. Muda nossa realidade e a percepção da vida. E assim usar da nossa vontade para transformar a nossa vida. E desapegar das escolhas e vontades das demais pessoas por mais próximas e queridas que possam ser.
Não precisamos esperar uma doença ou a proximidade da passagem de alguém para pedir perdão, para perdoar, para demonstrar afeto e para deixar de lado tantas coisas pequenas que foram se acumulando ao longo de anos. Algumas escondidas debaixo de um falso esquecimento.
Que possamos fazer uma reflexão sobre o que é realmente importante e o que faz sentido dentro de um contexto bem maior como a vida em face da morte, ou passagem.
Que possamos nos esvaziar de todos sentimentos pequenos e viver de modo que quando olharmos para trás possamos nos sentir tranquilos e agradecidos por dias e momentos bem vividos. Vividos com sabedoria, com grandeza, com amor, com desapego, com compaixão, com misericórdia, com alegria, com intensidade e leveza.
Dando valor e agradecendo à vida e a tantas bênçãos que já temos e que passam totalmente despercebidas nas correrias do dia a dia.
Com amor,
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 22 de maio de 2015.


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