sexta-feira, 22 de maio de 2015

SEJA FEITA A MINHA/SUA/NOSSA/VOSSA VONTADE

Estamos com alguns familiares enfermos, e uns naquele ciclo casa-hospital-casa. 

E isso infelizmente faz parte da vida de muitas famílias atualmente. O que nos faz refletir e observar muitas coisas. 

Entre elas as vontades. 

Vontades daqueles que querem a cura e daqueles que querem partir. 

Vontades daqueles que querem apressar e daqueles que querem prolongar a situação. 

Vontades daqueles que ignoram tudo. 

Vontades daqueles que pensam apenas nas questões materiais. 

Poucos os que percebem o propósito de cada alma e de cada situação.

Poucos os que percebem e aceitam os propósitos do Criador.

Poucos os desapegados. 

Poucos os que perdoam e se perdoam. 

Poucos os que aceitam a situação.

Poucos os que aceitam as escolhas das outras pessoas. 

Pouca a misericórdia, pouca a compaixão.

Pouco o amor e dedicação 

E assim os caminhos ficam cinza, a vida fica cinza, sem alegrias, apenas com dores, amarguras, culpas, ressentimentos e arrependimentos. 

Depois de semanas indo diariamente ao hospital, percebi em muitos que lá estão internados um grande arrependimento e um grande vazio.

Que se pudessem fariam muitas coisas bem diferentes e outras deixariam de fazer. 

Mas pode ser diferente. Podemos a qualquer momento fazer uma nova escolha que muda tudo. Muda nossa realidade e a percepção da vida. E assim usar da nossa vontade para transformar a nossa vida. E desapegar das escolhas e vontades das demais pessoas por mais próximas e queridas que possam ser.

Não precisamos esperar uma doença ou a proximidade da passagem de alguém para pedir perdão, para perdoar, para demonstrar afeto e para deixar de lado tantas coisas pequenas que foram se acumulando ao longo de anos. Algumas escondidas debaixo de um falso esquecimento.

Que possamos fazer uma reflexão sobre o que é realmente importante e o que faz sentido dentro de um contexto bem maior como a vida em face da morte, ou passagem.

Que possamos nos esvaziar de todos sentimentos pequenos e viver de modo que quando olharmos para trás possamos nos sentir tranquilos e agradecidos por dias e momentos bem vividos. Vividos com sabedoria, com grandeza, com amor, com desapego, com compaixão, com misericórdia, com alegria, com intensidade e leveza.

Dando valor e agradecendo à vida e a tantas bênçãos que já temos e que passam totalmente despercebidas nas correrias do dia a dia.

Com amor, 

Liliana Bauermann

Novo Hamburgo, 22 de maio de 2015.



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