Apego, medo, orgulho, insegurança, culpa, projeções...
Esta é outra lista que seria longa se fosse para escrever as
possibilidades.
Mas uma grande verdade é acabamos mesmo que inconscientemente
segurando pessoas junto de nós.
E isto pode se aplicar a amizades, relacionamentos afetivos e
pessoas que estão para fazer a passagem.
Como já compartilhei, estou com familiares enfermos e em alguns
casos sem mais muitos recursos da medicina para melhorar, mas sim dar conforto.
Mas nessas idas e vindas de hospitais, enfermarias, salas de
espera para exames e vários outros similares, observando e percebendo os
enfermos através do olhar e da energia que emanam, muitos já estão prontos para
ir.
Os mais conscientes já sabem e alguns sabem até que está na hora
de ir para dar lugar aos novos que vêm, pois finalizaram sua parte aqui.
Então você observa o que é dito a eles: uma lista também longa
de “tem que”. “Tem que” ficar bom, se curar, melhorar, comer, tomar mais este e
aquele remédio, ir me visitar, fazer isso, fazer aquilo, etc, etc, etc.
De modo nenhum quero dizer que qualquer tratamento médico ou
exames ou cuidado neste sentido deve deixar de ser feito.
O ponto de reflexão é o quanto as pessoas prendem emocional e energeticamente
aqueles que estão indo.
Uns anos atrás passou pela minha vida uma pessoa com a mãe muito
adoentada, que era tratada tal e qual um bebê, pois nada mais podia fazer por
si, haja visto a debilidade em que estava.
Senti que a mãe estava pronta e querendo ir. E num determinado momento
a filha se abriu e me contou muitas coisas, entre elas que queria ter um filho,
mas não conseguia nem podia por causa da mãe, que estava com problemas no
casamento por este mesmo motivo e muito mais coisas em torno da situação.
Então com cuidado eu a fiz refletir e ver que ela estava
segurando a mãe. Que a mãe estava sendo a criança que ela tanto queria. Ela chorou
muito. Mas um tempinho depois soube que a mãe tinha finalmente partido.
E através de observações e situações como a descrita acima percebi
que na verdade quem não está preparado para lidar com a passagem e desapegar é
mais quem fica do que quem está indo.
Eu sei que este assunto é bem delicado, mas em algum momento
todos vamos passar por uma situação similar.
Que todos nós possamos refletir sobre o quanto até nesse momento
queremos saber o que é melhor ou não para o outro. E também aceitar que nada na
vida podemos controlar.
E por outro lado, que possamos viver de forma que quando chegar
a nossa hora (pois um dia vai chegar) estejamos serenos e tranquilos, com a
consciência leve por ter vivido plenamente, e não apenas sobrevivido, levando
uma vida de aparências, para agradar aos outros, tentando ser ‘normal’ dentro
da sociedade, ou alcançar metas e bens materiais numa neura inconsciente, sem
curtir e aproveitar.
Que enquanto estivermos vivos, que estejamos conscientes a cada
dia, cada fase e cada etapa. Percebendo as coisas boas de cada uma. Pois mesmo
nas mais delicadas, se olharmos e observarmos com atenção veremos o bom e o bem
se manifestando. E ontem ainda conheci um enfermeiro com uma história muito
bacana. Mas isto é outro texto...
Muita paz, luz, amor, leveza e suavidade a todos.
Com carinho,
Liliana Bauermann
Novo Hamburgo, 04 de junho de 2015.


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