Tenho observado já há um bom tempo tanto nos atendimentos,
quanto em questões minhas e de amigos ou conhecidos, do tanto que nos
incomodamos, irritamos ou envolvemos com questões que não são nossas.
Percebi que perdemos (se é que um dia tivemos) a noção de limite
entre os outros e nós. Desde pequenos ouvimos nossos pais falando da vida de
outras pessoas, depois na escola e no trabalho isso vai se repetindo. E por
fim, absolutamente todos nós acabamos de uma forma ou outra nos envolvendo mais
ou menos na vida dos outros.
Temos aquilo que já virou hábito: julgar o modo de ser, falar,
vestir, agir e viver do outro. Como se algum de nós soubesse na verdade o que é
‘bom’ ou ‘ruim’, ‘melhor’ ou ‘pior’ para o outro. Em muitos casos nem sabemos o
que é o melhor para nós mesmos. Temos dificuldade para mudar e equilibrar
questões pessoais, como querer mudar coisas na vida dos outros?
E mesmo assim muitas pessoas vivem profundamente irritadas com
os pais, filhos, irmãos, parentes, companheiros, colegas de trabalho ou escola
e assim por diante.
Há os que se envolvem no sentido de ajudar e então dão opinião e
palpite o tempo todo, há os que ditam ordens, os que pagam ou sustentam
despesas de outros e após tudo isso ou muito mais, julgam como estes vivem suas
vidas - que de modo geral nunca está ‘certo’.
Chegando a casos mais extremos quando alguma das partes manda
fazer ‘trabalhos’ tanto para ‘ajudar’ quanto para se ‘vingar’ seja lá porque da
outra parte. Ou para adiantar ou atrasar o momento da partida do outro. Sim,
existe isso! E nem vou mencionar as questões energéticas envolvidas nisso tudo,
mas são bem sérias!
Quero trazer a reflexão de todos nós o aprendizado da aceitação
e respeito do outro como ele é. Todos e cada um de nós têm o direito de ser como
somos. Assim como não gostamos quando os outros nos julgam, que possamos viver
sem julgar os demais, sem querer mudá-los e principalmente, ajudando somente
quando solicitados.
Que possamos aprender a aceitar as diferenças, aceitar pontos de
vista opostos, aceitar maneiras de ser e de ver o mundo que não as nossas.
Que possamos aprender a deixar de tomar o que vem do outro como
pessoal. Cada um é como é, e nos trata da forma como sabe tratar o outro.
Muitas vezes temos expectativas em relação ao outro de coisas que nem nós
mesmos fazemos!
Sem falar nos aprendizados de vida individual de cada um de nós.
Cada um de nós tem desafios, limitações, lições delicadas a aprender.
Quando aprendermos a respeitar o limite dos outros e pararmos de
julgá-los ou de nos intrometer na vida deles, perceberemos que aprendemos a
colocar limites no outro quando este tenta fazer isso na nossa vida.
Que possamos aprender a focar nas semelhanças e parar de querer
que o outro seja quem ele não é. Isso além de uma ilusão é perca de tempo e um
grande desgaste energético.
Quando mudamos o foco daquilo que é diferente e nos incomoda
entrando num espaço de percepção dos pontos positivos e virtudes do outro
acharemos um campo vasto de trocas que podem ser dignas e interessantes.
Ninguém dá o que não tem, mas tem muito do que é e aprendeu para
compartilhar. E a partir deste ponto podemos equilibrar muitos relacionamentos.
Se esta possibilidade inexiste, que possamos ainda assim tratar
com educação e respeito o outro, e manter a distância e o contato mais
equilibrados possíveis.
E em todos os casos podemos amar o outro e a nós mesmos
incondicionalmente. O amor promove milagres em todas as situações e relações.
Com amor,
Liliana Bauermann
São Paulo, 20 de novembro de 2016.
Imagem retirada da internet /Pixabay


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