Já faz um tempinho que fui orientada a compartilhar um pouco
mais sobre mim e como comecei o trabalho que faço, as canalizações, etc. Agora
aqui está.
Como a maioria de vocês lendo, eu tinha uma vida considerada
“normal”. Trabalhava com exportação na minha cidade ou outras vizinhas, morava
numa casa confortável, tinha carro na garagem, amigos, vida social.
Aparentemente tudo tranquilo e certo.
Porém, o que eu sentia internamente não era nada que eu ouvisse
de outros, eu tinha dor na alma! Eu achava que os outros eram diferentes, até
entender que a diferente era eu.
Em 2009 eu trabalhava numa das maiores empresas exportadoras (se
não a maior na área = sonho de muitos), mas não era em absoluto feliz. Sentia
que estava no lugar errado, fazendo a coisa errada, e nada disso tinha a ver
nem com a empresa muito menos com qualquer pessoa.
Eu ir dormir chorando nos domingos à noite pensando que no dia
seguinte tudo começaria de novo, mas também pensava, como todos, nas contas, no
que fazer, essas coisas.
E eis que então as coisas começaram a mudar, mas de uma forma
que eu nem imaginava aonde tudo iria me levar.
Comecei ficando doente, tive pressão alta, começaram a aparecer feridas
nas minhas pernas, até que ambas estavam em carne viva sem que nenhum exame ou
remédio ajudasse. Foi com soluções caseiras que aquilo passou.
Então aconteceram três enchentes na rua onde eu morava, sendo a
terceira às 3 da manhã e quase entrou na minha casa e no motor do carro, o que
naturalmente me faria perder quase tudo. Nesta noite lembro bem que comecei a
pedir para Deus, Mãe Maria, “todos” que pude lembrar: ok, eu largo tudo, vendo
tudo, faço o que tiver que fazer, mas com jeito, não assim.
E em seguida o recado veio de forma mais clara ainda, que aquilo
era sério e que a mudança seria grande.
Estava eu chegando em casa pelas 20 horas, colocando o carro na
garagem e quando desço um rapaz bem jovem coloca uma arma (para mim gigante) no
meu plexo – boca do estômago e pergunta onde está a chave. E respondi que estava
no carro. E ainda tive a ousadia (não sei por que) de pedir para não levar. Ele
apertou a arma em mim e perguntou se eu queria que ele me matasse. Sussurrei
que não. Cheguei quase a sentir o sangue quente correndo em mim. Mas não. Ele
disse: “então tá”, se moveu para dentro do carro e sumiu em segundos.
Não sei como liguei para uma amiga, tomei as devidas
providências práticas, ligações, cancelamentos de cartões, BO, essas coisas.
E naturalmente numa noite dessas ninguém dorme.
Passei a noite em claro sentada na cama, com todas as luzes da
casa acesas mais meus 2 gatos ao lado, pensando na vida que quase perdi e no
que tinha feito até então.
Fiquei me imaginando indo para não sei onde e tendo que
responder perguntas do tipo: “E então, como foi sua vida na Terra? Foi feliz?
Como estava o trabalho? E cadê seu carro?” E sempre a pergunta principal depois
de todas as outras era: “Foi feliz”? - A resposta, claro, era NÃO!
Não era feliz, não fui feliz, nem me sentia verdadeiramente
feliz.
Morava numa casa boa, tinha um bom emprego, carro, familiares
vivos, amigos, mas simplesmente não me sentia feliz.
Ali vi que tinha que mudar tudo radicalmente e descobrir o que
era ser feliz e como fazê-lo.
E mais importante de tudo, descobrir quem eu era, pois até então
não tinha a menor ideia.
Entendo hoje que eu era o que a maioria ainda é: uma pessoa que
vai sendo levada a estudar, se formar, ter um bom emprego, casa, carro,
família, amigos, vida social, ficar velha, doente e morrer.
Naquela noite pedi para que fosse orientada (de forma bem clara
e que eu entendesse!) do que fazer, do que mudar. Eu estava disposta a largar
literalmente tudo e fazer o que eu deveria fazer, apesar de não ter a mínima
ideia do que seria. Mas sabia que não era nada do que eu vinha fazendo.
Nisso, uma série de acontecimentos foram se desenrolado. Vou
resumir e continuar no próximo post.
Através de um site que eu participava como tradutora de
mensagens canalizadas fui convidada a participar de workshops aqui em SP.
Comecei a vir, conheci muitas pessoas, dentre as quais algumas
que queriam abrir uma clínica para atendimentos terapêuticos aqui em SP e a
ideia me pareceu maravilhosa.
Pedi demissão do emprego, me desfiz de tudo que tinha
(tudo de dentro de casa!!), vendi o carro e vim para SP com 3 malas. Isso, três
malas. Nas palavras exatas da minha mãe: "Filha, quer dizer que tua vida
toda até aqui se resumiu em três malas? Tem certeza de que vai fazer isso?” Eu
sempre entendi a preocupação dela de mãe, mas não tinha como explicar a ela nem
a ninguém, que estar viva com três malas era melhor do que não estar mais
aqui...
E assim em 09 de junho de 2010 mudei para São Paulo, com a
maioria absoluta dos amigos e conhecidos me achando uma louca, e uns poucos
admirando a coragem de fazer aquilo nessa etapa da vida (ou seja, não era com
20 anos).
Continua no próximo...
Com amor,
Liliana Bauermann
São Paulo, 12 de dezembro de 2016.
Imagem: Internet/Pixabay


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