O
maior desapego é o desapego de nós mesmo, das nossas convicções, certezas,
crenças, manias, costumes, hábitos, respostas prontas, de tudo que fomos
ensinados a acreditar e fazer, dito como “certo” e “normal”.
Foram
tantas crenças alheias, ideias de outras pessoas, dogmas, convenções sociais,
religiosas, familiares, tradições que em meio a tudo isso o Eu Natural se
perdeu.
E
por ter se perdido e então copiado e seguido tantas vezes o que outros faziam,
diziam e convenciam-lhe que era o melhor, houve o vazio, as dúvidas, as
incertezas, algumas vezes revolta, outras apatia, mas a sensação interna era
sempre a mesma: não adequação. Uma sensação de que algo estava muito errado. E como
todos sempre pareciam tão seguros e certos do que diziam, parecia que o
problema era daquele “eu” que se sentia inadequado, deslocado.
E
de tão longe que o “eu” estava de si mesmo, se perdeu de vez e começou a fazer
tudo diferente do dito normal, tradicional e certo.
E
foi justamente nesse movimento de desapego de regras, padrões, conceitos, de não
seguir o coletivo, de não ouvir só a razão, mas sim aquela vozinha até então
imperceptível do coração, que o “eu” por fim se achou.
Achou
seu norte, seu rumo, o sentido, a razão. E tudo que até então parecia um enorme
quebra cabeças sem sentido, sem começo nem fim, começou a tomar forma e a
partir de muitas peças soltas, separadas, desconexas, sem bordas nem linhas que
um lindo ser surgiu.
Então
como que por encanto, ou um desses milagres da vida que não tem muita
explicação, todas as peças se encaixaram, não havia nada demais nem de menos. Tudo
na exata medida e proporção da perfeição do Ser único, inteiro, equilibrado e
harmonioso cuja imagem podia ser percebida por todos cujos corações também
estavam a procura do seu eu e, portanto, sensíveis o bastante para reconhecer o
seu reflexo naquela mesma imagem.
E
é no desapego, no deixar ir, que o que tem real valor aparece, que a vida
floresce.
Permita-se
desapegar-se de si, da sua autoimagem, desapegar-se de todo peso, dor,
sofrimento, mágoas, crenças, regras, limitações, padrões, conceitos, preconceitos,
certezas, dúvidas, perguntas, medos, sombras, inseguranças, vergonha, arrependimento,
culpa, remorso, orgulho, altivez, arrogância...
Desapegue-se.
A
luz, a paz, o equilíbrio, a harmonia, a beleza, a leveza, a suavidade, a graça,
a compaixão, a misericórdia, a bondade, o bem-estar, a alegria, a abundância, a
prosperidade, a união, a reconexão, o amor e todas as bênçãos só se manifestam
onde há espaço para estas energias tão delicadas.
Esvazie-se
e desapegue-se, assim tudo de bom que você deseja encontra espaço para manifestar-se
aqui e agora.
Com
amor,
Liliana
Bauermann
São
Paulo, 01 de novembro de 2014.


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