sábado, 1 de novembro de 2014

DESAPEGAR-SE

O maior desapego é o desapego de nós mesmo, das nossas convicções, certezas, crenças, manias, costumes, hábitos, respostas prontas, de tudo que fomos ensinados a acreditar e fazer, dito como “certo” e “normal”.

Foram tantas crenças alheias, ideias de outras pessoas, dogmas, convenções sociais, religiosas, familiares, tradições que em meio a tudo isso o Eu Natural se perdeu.

E por ter se perdido e então copiado e seguido tantas vezes o que outros faziam, diziam e convenciam-lhe que era o melhor, houve o vazio, as dúvidas, as incertezas, algumas vezes revolta, outras apatia, mas a sensação interna era sempre a mesma: não adequação. Uma sensação de que algo estava muito errado. E como todos sempre pareciam tão seguros e certos do que diziam, parecia que o problema era daquele “eu” que se sentia inadequado, deslocado.

E de tão longe que o “eu” estava de si mesmo, se perdeu de vez e começou a fazer tudo diferente do dito normal, tradicional e certo.

E foi justamente nesse movimento de desapego de regras, padrões, conceitos, de não seguir o coletivo, de não ouvir só a razão, mas sim aquela vozinha até então imperceptível do coração, que o “eu” por fim se achou.

Achou seu norte, seu rumo, o sentido, a razão. E tudo que até então parecia um enorme quebra cabeças sem sentido, sem começo nem fim, começou a tomar forma e a partir de muitas peças soltas, separadas, desconexas, sem bordas nem linhas que um lindo ser surgiu.

Então como que por encanto, ou um desses milagres da vida que não tem muita explicação, todas as peças se encaixaram, não havia nada demais nem de menos. Tudo na exata medida e proporção da perfeição do Ser único, inteiro, equilibrado e harmonioso cuja imagem podia ser percebida por todos cujos corações também estavam a procura do seu eu e, portanto, sensíveis o bastante para reconhecer o seu reflexo naquela mesma imagem.

E é no desapego, no deixar ir, que o que tem real valor aparece, que a vida floresce.

Permita-se desapegar-se de si, da sua autoimagem, desapegar-se de todo peso, dor, sofrimento, mágoas, crenças, regras, limitações, padrões, conceitos, preconceitos, certezas, dúvidas, perguntas, medos, sombras, inseguranças, vergonha, arrependimento, culpa, remorso, orgulho, altivez, arrogância... 
Desapegue-se.

A luz, a paz, o equilíbrio, a harmonia, a beleza, a leveza, a suavidade, a graça, a compaixão, a misericórdia, a bondade, o bem-estar, a alegria, a abundância, a prosperidade, a união, a reconexão, o amor e todas as bênçãos só se manifestam onde há espaço para estas energias tão delicadas.

Esvazie-se e desapegue-se, assim tudo de bom que você deseja encontra espaço para manifestar-se aqui e agora.

Com amor,
Liliana Bauermann

São Paulo, 01 de novembro de 2014.


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