Quanto mais queremos controlar algo ou alguém mais tudo foge ao
controle.
E mesmo sabendo que nada e nem ninguém pode nem deveria ser
controlado, esta tendência é quase natural em todos nós.
Uma vez um amigo me contou que gosta da rotina, pois assim tudo
parece estar sob controle. Na época me assustei, mas hoje repensando, inconscientemente
a maioria de nós pensa e acaba vivendo da mesma forma.
E assim passamos uma boa parte do nosso tempo tentando nos
controlar de alguma forma: controlando o que comemos, falamos, quanto gastamos,
como nos vestimos, o que fazemos, não fazemos e assim por diante. E daí tentamos
controlar quem está perto: nossos pais, filhos, amigos, vizinhos, colegas de
trabalho, chefes, maridos ou companheiros e quem mais estiver à vista. E então
inutilmente ainda tentamos controlar as situações: controlar as coisas em casa,
no trabalho, na vida social, no trânsito, etc, etc, etc.
E hoje acredito que a imensa maioria das pessoas ama o controle
remoto porque é de fato a única coisa que nos faz ter a ilusão de estarmos com
o controle de algo literalmente nas mãos.
Brincadeiras a parte, quanto mais observo e percebo a vida, as
pessoas, eu mesma, mais me dou conta de que quanto mais queremos controlar,
mais tudo escorrega pelas mãos.
E é um grande aprendizado o desapegar do controle e entrar na
fluidez, flexibilidade e aceitação.
Tenho sido muito lembrada de uma parte de uma oração bem
conhecida: “seja feita a Tua vontade”, ou seja, deixar a Vida nos levar, nos
permitir sermos orientados e guiados e muitas vezes além dos nossos planos,
expectativas e desejos. Penso que é um reaprendizado da confiança, de acreditar
novamente na Vida. Estamos todos tão desconfiados de tudo, há tantos que
enganam, há tanta ilusão e mentira, que na hora de confiar na Vida, no
Universo, no Amor, achamos que vamos ser enganados de novo que acabamos
querendo controlar tudo para não termos decepções.
E assim lentamente fomos nos distanciamos e separando de tudo e
todos e nos perdemos de nós, perdemos a fé na Vida e em nós, perdemos a
confiança no Todo e confiança nos demais. E para ter um chão, uma base ou um norte,
resolvemos nos iludir tentando manter as coisas sob controle.
Mas eis que aí vem a Vida nos trazendo situações inusitadas,
novas, diferentes, nos fazendo mesmo sem querer olhar a tudo de modo diferente,
com mais percepção, com mais sensibilidade e nos fazer largar o controle, a
birra, a teimosia, o orgulho, a arrogância, a ilusão da separação para nos
fazer ver que não somos nada do que pensamos, que nada é o que aparenta e que
não temos como controlar nada.
Na verdade deveríamos ter a humildade de nos permitir entrar na
fluidez da energia universal, sentindo os ventos das mudanças, sentindo a
energia vital, pisando na terra firme da confiança, mergulhando nas ondas de
emoções, sensações e vibrações positivas, elevadas e acolhedoras e permitir
nosso peito e nosso coração arder de amor por tudo e todos, começando por nós mesmos.
Cada dia é uma nova oportunidade de relembrar de largar o
controle e entrar na fluidez, nos permitir perceber o que a Vida quer de nós, nos
permitir sermos tão generosos quanto a Vida, o ar, os ventos, o sol, as
árvores, os pássaros, as flores e toda Natureza que simplesmente existe e compartilha
de si mesmo abundantemente sem controle, sem julgamentos, mas simplesmente fluindo
e existindo. Sabendo que quanto mais generosa e abundantemente nos expandimos
mais temos a compartilhar, pois a Vida é infinita em si e por si.
Que infinito seja nosso caminhar e compartilhar com
generosidade, com fluidez, com confiança e amorosidade. Que nossos passos sejam
eternamente orientados e guiados pela Vida e pelo Amor Universal e
Incondicional.
Com carinho,
Liliana Bauermann
São Paulo, 22 de novembro de 2014.


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