Uns anos atrás caí num dia de chuva e acabei levando seis pontos
no cotovelo. Foi há uma quadra da casa onde morava e quando cheguei fui logo
socorrida e depois levada ao pronto socorro.
Naturalmente doeu muito na hora, depois em casa quando o
ferimento foi limpo (e deu para ver o tamanho do machucado) e de novo na hora
de levar os pontos e a tradicional injeção anti várias coisas.
Porém, tudo isso foi para meu bem maior. E quanto a isso todos
têm esse entendimento que quando nos machucamos ou temos alguma doença algo
prático e às vezes dolorido deve ser feito para que a cura = reequilíbrio
aconteça.
E exatamente da mesma forma todos temos feridas emocionais, raivas,
ódio, mágoas, sentimentos de traição, injustiça, entre outros. Também temos medo,
dúvidas, inseguranças, orgulho, prepotência, inveja, etc. São machucados que estão
abertos, mas em outros níveis, não visíveis como um ferimento na pele que
imediatamente vemos e tratamos. E em muitos de nós estes machucados ficaram
estagnados anos a fio sem nenhum tratamento.
E isso acaba abrindo ‘buracos’ no nosso campo energético por
onde tanto nossas energias vitais vão vazando quanto permitem que muitas
energias negativas de fora entrem, aumentando ainda mais o desequilíbrio. E com
o passar do tempo essas feridas emocionais e energéticas acabam criando feridas
físicas mesmo, que são as doenças internas, inflamações, irritações, as ‘ites’
que muitos têm e quando aumentam acabam gerando câncer e outras patologias
graves que acometem milhares de pessoas.
Naturalmente mexer nisso não é nada simples, traz dor, sofrimento,
mágoas e claro, trás à tona todas as lembranças do que motivou esses
sentimentos. O que faz a maioria não querer mexer no assunto.
A parte mais delicada ainda é admitir nossa coparticipação em
tudo. Pois por algum motivo isso chegou a nós, e depois permitimos que isso
ficasse e aumentasse.
Entretanto, continuar sem mexer, sem tratar só faz aumentar
ainda mais a ferida, ao ponto em que remédios passam a não mais trazer a cura,
apenas fazem a situação ficar estagnada, ou seja, não piora. O que é bem
diferente de cura e reequilíbrio.
E da mesma forma que durante um tratamento convencional tem a
parte ‘ruim’ que é mexer na ferida, tomar remédios amargos, injeções, prestar
atenção aos horários, fazer revisões, exames, etc., quando lidamos com as
questões emocionais e energéticas também tem a parte ‘ruim’. Cada pessoa tem
algo em particular que mexe além da própria ferida, que pode ser aceitar, perdoar,
liberar tudo, esquecer, admitir a participação, mudar atitudes, pensamentos, e
isso também é um tratamento e vai durar o tempo que tiver que durar.
Muitos desistem, ou ficam apenas cobrindo tudo com uma gaze, de
modo superficial e assim vão seguindo, dizendo para si mesmos que vai passar.
Mas não vai passar. E como sempre escrevo, tudo são escolhas. E todas
são honradas.
Você pode deixar suas feridas escondidinhas, ou pode resolver trata-las
e lidar com tudo o que isso possa vir a trazer. O resultado é a cura. E quem
quer, sempre consegue!
Com amor,
Liliana Bauermann,
São Paulo, 13 de fevereiro de 2016.


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