quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

LIÇÕES DE VIDA COM A MORTE



Faz uns dias que meu pai terminou seu ciclo e fez sua passagem. E eu cheguei a tempo de SP ao RS e acompanhei bem de perto os momentos finais, que foram de muitos aprendizados. Uma experiência única.

Já fazia anos que ele estava com questões graves de saúde ligadas aos pulmões e coração. E todo ano ele era hospitalizado, então quando soube no início do ano que ele estava internado, inicialmente pensei que seria apenas mais uma vez.

Mas desta vez não foi assim.

Cheguei à minha cidade de madrugada e fui visita-lo na UTI no primeiro horário possível e ele já estava desacordado. Porém segurei na sua mão e durante o tempo permitido conversei com ele. Falei tudo que senti naquele momento e que o amor é eterno. Assim que eu terminei e parei de falar a mão dele se soltou da minha e caiu para o lado.

No dia seguinte o médico nos informou que mais nada havia a ser feito, pois ele não estava respondendo à medicação e ao tratamento como das vezes anteriores. E ele foi transferido para um quarto.

Eu fui a acompanhante a partir daquele momento. E ele foi para um quarto onde já havia um senhor no leito ao lado, também com questões pulmonares. Mas este estava acordado, delirando e um tanto agitado.

Passei a tarde entre observar meu pai em coma e dar atenção e alguns cuidados ao senhor ao lado, cuja filha acompanhante estava nervosa.

À noite na troca de enfermeiras, a chefe da noite muito gentilmente veio conversar comigo se eu sabia da situação, se eu estava bem e se colocou à disposição.

Já durante à tarde eu havia feito orações por ele. À noite (pelas 21,22 hrs) por um bom tempo eu senti que havia entrado tipo num transe e fui dando intenções de encaminhamento dele através do que ia sentindo e usando o ThetaHealing®. Não tenho muita clareza de tudo que pensei e fiz.

Então eu “vi” o anjo da morte parado do lado da fora da porta do quarto. Perguntei a ele se ele estava vindo buscar meu pai e ele respondeu que sim. Perguntei se ele já ia entrar, e ele respondeu que não, só na hora certa. Não sei explicar como, mas o tempo todo me senti calma e tranquila.

Pela 1:20 da manhã estava eu ao lado do meu pai fazendo preces quando me virei e observei o senhor ao lado (que dormia) e senti que este também não iria muito longe. Senti de fazer preces por ele e pela família.

Pelas 2:15 começou a movimentação no quarto e tanto eu quanto o filho que o acompanhava tivemos que sair do quarto pois o senhor teve uma parada cardíaca e veio a falecer. Então fui eu a primeira a consolar o filho.

Logo em seguida aquela enfermeira me avisa que meu pai também estava indo. Me permitiram entrar no quarto e dar o adeus a meu pai.

Durante este período bem delicado tive e estou tendo muitas percepções.

Me senti em paz quanto ao meu pai, pois antes de morar aqui em SP quem havia cuidado e acompanhado ele por anos fui eu. Sempre houve muito respeito e amor, e este foi falado, ao contrário de muitos que amam, mas não sei porque nunca dizem isto para a pessoa ouvir.

Observei que nos preparamos para muitas coisas nesta vida, menos para morrer ou ver morrer.

Pensei em quantas coisas tolas e sem importância que damos atenção e que nesta hora perdem completamente o sentido.

Pensei no que eu gostaria de ter feito antes de partir. E por um lado senti que já fiz umas coisinhas e por outro sinto que há tanto ainda a fazer. E vou me organizar para colocar mais em prática.

Pensei se estou em paz em relação às demais pessoas próximas. E senti que não, que tenho algumas questões importantes a equilibrar.

Tive mais clareza de que algumas vezes temos que parar e refletir bem antes de agir, mas não postergar indefinidamente uma situação ou questão delicada.

Entendi que sem saber nem planejar havia colocado em prática uma nova habilidade, a de encaminhamento, haja visto que fiz dois numa mesma noite. E quanto a isso me sinto em paz. Tinha a sensação de facilitar um ‘parto’ ao contrário. E tudo são experiências. E todas honradas. E pode ser leve e suave.

E deixo como reflexão para todos nós pensarmos profundamente sobre o que não gostaríamos de deixar pendente antes de partirmos. E sobre o que gostaríamos de fazer e viver antes deste momento. Quando pensamos na morte muitas prioridades podem mudar!

E sem dúvida a maior de todas na minha vida passou a ser amar e muito! Pois de tudo o que vivemos o que realmente fica é o amor que doamos e colocamos em tudo. O resto... é o resto...

De coração envio amor incondicional a todos lendo estas linhas.

Com amor,

Liliana Bauermann

São Paulo, 01 de fevereiro de 2017.

Imagem: Pixabay 


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