Desenvolver a perseverança é um caminho delicado e requer uma boa
dose de boa vontade e paciência.
Ando observando que muitos de nós não a tem. Tanto faz se é
devido a alguma configuração astrológica, do que foi ensinado ou aprendido, dos
exemplos vistos, a vida corrida, o fato é que a maioria de nós é ansioso e
espera resultados imediatos em praticamente tudo na vida. Seja em
relacionamentos, negócios, amizades, cursos, a lista é grande.
Percebi que não só eu, mas outras pessoas pensam
em mudar de ideia ou rumo só porque algo que estão fazendo não está dando resultados
visíveis imediatos.
Ficamos imaginando o que fizemos de errado, o que deveríamos ter
feito, tentando achar explicações e motivos lógicos e racionais. Quando na
maioria das vezes bastava ter um pouco mais de paciência para colher os frutos
da semente plantada.
Geralmente quando temos uma ideia ou um desejo no coração é
porque ele pode se manifestar. E então ansiamos por fazer tudo do nosso jeito e
do modo como imaginamos que vai funcionar “certo”. Muitas vezes buscar
conselhos, pesquisar melhor, verificar de novo todos os detalhes, ou se ocupar
com outras atividades poderiam muito bem amenizar a pressa e contribuir para o
amadurecimento da ideia.
Percebi também que devido a termos perdido praticamente toda
nossa conexão com a Terra (como ser consciente, divino, vivo e fonte de
energia) ajudou a perdermos o senso do tempo. Atualmente não andamos mais
descalços, não vemos mais o nascer nem o por do sol, não ouvimos mais os pássaros
cantando, não reparamos naquela flor linda que se abriu e exala um perfume maravilhoso.
Ficamos tão absortos na nossa rotina, ocupações, obsessões (sim, alguns desejos
viram obsessão), enfim coisas que consideramos “importantes” que nos
desconectamos da natureza e de nós mesmos. E nessa desconexão perdemos a
sensibilidade, a intuição, a noção do tempo de amadurecimento. Esquecemos que há o tempo das folhas caírem, o
tempo do reflorescimento, do renascimento. Esquecemos também que tudo isso faz
parte de um movimento harmônico, a harmonia do fim de um ciclo e começo de
novos.
Ficamos querendo tanto o novo que não nos preparamos para largar
o velho, e às vezes não o largamos e ele fica ocupando espaço. Atrasando o novo
que quer se manifestar.
E nesta roda sem fim, ansiosos, nem perseveramos, nem esperamos,
muito menos observamos o movimento natural de todas as coisas. Há tempo de agir
e tempo de esperar, tempo de mudar e tempo de perseverar. E este é um fluxo
natural. Pelo menos deveria ser.
Que todos possamos dia a dia começar a observar mais os ciclos
externos e internos, e assim redescobrir nossa harmonia inerente para viver
plena e abundantemente no eterno aqui e agora.
Namastê,
Liliana
Bauermann
SP 19 set. 2013


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