quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PERSEVERANÇA

Desenvolver a perseverança é um caminho delicado e requer uma boa dose de boa vontade e paciência.

Ando observando que muitos de nós não a tem. Tanto faz se é devido a alguma configuração astrológica, do que foi ensinado ou aprendido, dos exemplos vistos, a vida corrida, o fato é que a maioria de nós é ansioso e espera resultados imediatos em praticamente tudo na vida. Seja em relacionamentos, negócios, amizades, cursos, a lista é grande.

Percebi que não só eu, mas outras pessoas pensam em mudar de ideia ou rumo só porque algo que estão fazendo não está dando resultados visíveis imediatos.

Ficamos imaginando o que fizemos de errado, o que deveríamos ter feito, tentando achar explicações e motivos lógicos e racionais. Quando na maioria das vezes bastava ter um pouco mais de paciência para colher os frutos da semente plantada.

Geralmente quando temos uma ideia ou um desejo no coração é porque ele pode se manifestar. E então ansiamos por fazer tudo do nosso jeito e do modo como imaginamos que vai funcionar “certo”. Muitas vezes buscar conselhos, pesquisar melhor, verificar de novo todos os detalhes, ou se ocupar com outras atividades poderiam muito bem amenizar a pressa e contribuir para o amadurecimento da ideia.

Percebi também que devido a termos perdido praticamente toda nossa conexão com a Terra (como ser consciente, divino, vivo e fonte de energia) ajudou a perdermos o senso do tempo. Atualmente não andamos mais descalços, não vemos mais o nascer nem o por do sol, não ouvimos mais os pássaros cantando, não reparamos naquela flor linda que se abriu e exala um perfume maravilhoso. Ficamos tão absortos na nossa rotina, ocupações, obsessões (sim, alguns desejos viram obsessão), enfim coisas que consideramos “importantes” que nos desconectamos da natureza e de nós mesmos. E nessa desconexão perdemos a sensibilidade, a intuição, a noção do tempo de amadurecimento.  Esquecemos que há o tempo das folhas caírem, o tempo do reflorescimento, do renascimento. Esquecemos também que tudo isso faz parte de um movimento harmônico, a harmonia do fim de um ciclo e começo de novos.

Ficamos querendo tanto o novo que não nos preparamos para largar o velho, e às vezes não o largamos e ele fica ocupando espaço. Atrasando o novo que quer se manifestar.

E nesta roda sem fim, ansiosos, nem perseveramos, nem esperamos, muito menos observamos o movimento natural de todas as coisas. Há tempo de agir e tempo de esperar, tempo de mudar e tempo de perseverar. E este é um fluxo natural. Pelo menos deveria ser.

Que todos possamos dia a dia começar a observar mais os ciclos externos e internos, e assim redescobrir nossa harmonia inerente para viver plena e abundantemente no eterno aqui e agora.

Namastê,

Liliana Bauermann

SP 19 set. 2013


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