Esta é uma questão bem delicada, pois pode envolver sentimentos
por pessoas que queremos bem.
Muitas vezes pessoas próximas a nós estão envolvidas em
situações bem delicadas e tentamos de diversas formas ajudar.
Às vezes até nos prejudicando ou envolvendo além de alguns
limites básicos para nossa segurança, preservação ou bem estar.
Entretanto, há casos que começam a se tornar mais delicados e a
pessoa nitidamente não aceita, não quer ajuda ou não vai mudar seja pelo motivo
que for. Ou simplesmente a questão chegou num ponto de não retorno.
Há casos de pessoas que se distanciaram tanto delas mesmas que
literalmente se perderam. Perderam o rumo, o norte, o equilíbrio, se prejudicam
e podem até mesmo entrar num modo destrutivo. E podem sem querer levar outras
junto, seja por questões financeiras, vícios, doença, obsessão, falta de
integridade ou vários outros motivos.
Que tenhamos a sabedoria e percepção de como lidar com a
situação e se preciso for, para nosso próprio bem, em casos extremos, sair de
cena ou tomar distância para não sermos levados juntos ladeira abaixo.
Entretanto em algumas situações isso não é possível, pois seria
abandonar quem está incapaz de cuidar de si ou algum familiar.
Nestes casos extremos devemos ter cuidado para não permitir que
a pessoa – e o que ela diz ou faz - ou a situação afetem toda nossa vida. Que
possamos reconhecer que certas coisas estão além do nosso controle e mais além
ainda da nossa vontade.
Existem muitos casos de pessoas que nitidamente levam várias outras
ao desequilíbrio e afetam toda a vida familiar dela e de outros próximos.
É um desafio e um aprendizado muito grande limitar o ‘poder’
disso nas nossas vidas. Há que haver o equilíbrio entre o bom senso, o amor
próprio, o amor ao outro e o entendimento de que certas pessoas, seja por qual
motivo, se perderam e pouco há a ser feito por elas além de enviar amor e
desejar o bem delas.
E isto normalmente gera muita culpa, peso, dores e
ressentimentos. Tem coisas que podemos fazer pelos demais, mas tem coisas que
não. É da própria pessoa. Às vezes ela não tem forças e nem sabe como fazer
diferente. E não tem como forçar nada nesse sentido. Cada um tem seu tempo. E o
entendimento disso nem sempre é fácil, pode ser dolorido.
Que tenhamos compaixão e misericórdia por todos. Que saibamos
desapegar de casos que estão além de nós mesmos. E que tenhamos o entendimento
de que a Vida sempre continua. E que às vezes alguns necessitam de mais tempo
(mais vidas), de outras maneiras ou outros planos para conseguir aprender as
lições necessárias para sua Alma.
Nada disso pode ser racionalizado. A razão e o mental pouco
ajudam. O perdão, a misericórdia e compaixão praticados podem amenizar e o Amor
trazer a cura de todos os males, seja do corpo, mente, emoções ou alma.
Que saibamos viver e lidar com essas questões de forma leve,
equilibrando o amor ao outro com o amor a nós mesmos. E sabendo continuar nossa
caminhada na confiança de que a Vida e seus mistérios estão além de qualquer
entendimento ou explicação e o amor além de qualquer limitação ou dimensão.
Com amor,
Liliana Bauermann
São Paulo, 12 de março de 2017.
Imagem: Pixabay


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