Uma das questões mais recorrentes nos atendimentos é a questão
da rejeição.
Em níveis conscientes ou não, a maioria tem registros de
rejeição, seja desta vida, desde a infância por um ou ambos os pais, de amigos,
de amores não correspondidos e também pode vir de outros tempos.
É bastante comum acessarmos a criança interna de um cliente que
se apresenta triste, rejeitada, com sensação de abandono e ou outros traumas. (A
imagem anexa mostra bem o que ‘vejo’ em muitos atendimentos).
Todas essas questões se não tratadas acabam se manifestando na
repetição deste padrão na vida adulta. Muitos acabam sentindo-se rejeitados sem
nem terem dado oportunidade de algo poder se manifestar, acham logo que serão destratados
em situações de trabalho, amorosas ou outras.
Junta-se a isso uma série de expectativas frustradas e
comparações que em geral também vêm desde a infância.
Existem crenças bem arraigadas de como deve ser uma relação de
pais x filhos, uma relação amorosa, e assim para quase tudo.
Então expectativas vão sendo criadas para que tenhamos exatamente
o que é dito como ’certo’ ou ‘padrão’.
E a isto seguem-se as comparações. Comparamos nossos pais com
outros, amigos com outros, tipo de relações com outras, o que temos com o que
outros têm e naturalmente, nós mesmos com outros, entre tantas outras comparações.
E o que vem disso? Frustração, comportamentos de arrogância de
uns que tentam passar a impressão que não necessitam de nada nem ninguém, comportamentos
mimados de outros que fazem chantagem emocional com os mais próximos e outros
desequilíbrios, como timidez, vergonha, raiva e irritação sem motivos aparentes
e muito mais. Cada caso é um caso.
Temos parâmetros que nunca serão alcançados, expectativas que
obviamente serão frustradas. Assim uns ficam loucos tentando alcançar metas
impossíveis, outros se entregam à acomodação e sensação de fracasso, e
normalmente a infelicidade, rejeição e outras sensações permanecem inalteradas.
Entretanto se pudermos sair deste padrão e manipulação e entrar na
percepção mais profunda de tudo, poderemos ver que todos e cada um de nós é
único. Todos temos nossa bagagem cultural, de educação, meio social, temos capacidades,
dons, talentos, qualidades únicas, assim como temos nossos desafios, limitações
e aprendizados. E nada disso pode ser comparado ou limitado a qualquer tipo de
padrão pré-estabelecido.
E também cada um dá o que tem. Como querer que uma pessoa possa
dar a outro algo que ela pode nem ter?
Neste universo das relações e sentimentos que possamos ter cada
vez mais discernimento e percepção de nós, do outro e das trocas que podem
haver.
Que saibamos aceitar o que cada um tem a nos dar, e aceitar as
limitações nossas e dos demais. Que saibamos perceber o que nós temos a dar e o
que realmente desejamos receber. O que é realmente importante para nós, para o
outro e o que foi imposto e dito como necessário.
Que saibamos ser flexíveis nas relações, independente do nível e
do tipo de cada uma. E acima de tudo, que possamos perceber e aceitar o outro
como ele é, sem expectativas e desejos de como queríamos que ele fosse. Assim podemos
atrair mais disso para nós mesmos.
Quando entramos neste entendimento a rejeição se vai por si só,
pois entende que nada é pessoal contra nós. As pessoas são como são. E assim as
expectativas também se dissolvem.
A partir deste ponto podemos estabelecer relações dignas e
saudáveis, onde podemos ser quem somos, compartilhar o que temos e receber o
que cada um a nosso redor tem a dar.
E caso tenhamos a percepção de relações que estejam fora disso,
onde haja manipulação, desrespeito, onde só uma parte dá e a outra só recebe,
ou não sabe receber, que possamos aceitar e abrir a distância que pensamos ser
saudável.
Que em todas as relações e situações possamos ser quem somos,
compartilhar o que temos de forma leve, generosa e saudável. Que assim como
damos, que possamos receber e aceitar o que o outro tem a nos oferecer. Podemos
crescer muito com trocas dignas, sem expectativas nem comparações.
Com amor,
Liliana Bauermann
(Um tratamento pode reequilibrar questões profundas de rejeição,
abandono, bloqueios e traumas desta e/ou de outras vidas. Entre em contato para
mais informações).
São Paulo, 02 de março de 2017.
Imagem: Pixabay 

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