quinta-feira, 2 de março de 2017

SENTIMENTOS DE REJEIÇÃO (e suas expectativas e comparações)



Uma das questões mais recorrentes nos atendimentos é a questão da rejeição.

Em níveis conscientes ou não, a maioria tem registros de rejeição, seja desta vida, desde a infância por um ou ambos os pais, de amigos, de amores não correspondidos e também pode vir de outros tempos.

É bastante comum acessarmos a criança interna de um cliente que se apresenta triste, rejeitada, com sensação de abandono e ou outros traumas. (A imagem anexa mostra bem o que ‘vejo’ em muitos atendimentos).

Todas essas questões se não tratadas acabam se manifestando na repetição deste padrão na vida adulta. Muitos acabam sentindo-se rejeitados sem nem terem dado oportunidade de algo poder se manifestar, acham logo que serão destratados em situações de trabalho, amorosas ou outras.

Junta-se a isso uma série de expectativas frustradas e comparações que em geral também vêm desde a infância.

Existem crenças bem arraigadas de como deve ser uma relação de pais x filhos, uma relação amorosa, e assim para quase tudo.

Então expectativas vão sendo criadas para que tenhamos exatamente o que é dito como ’certo’ ou ‘padrão’.

E a isto seguem-se as comparações. Comparamos nossos pais com outros, amigos com outros, tipo de relações com outras, o que temos com o que outros têm e naturalmente, nós mesmos com outros, entre tantas outras comparações.

E o que vem disso? Frustração, comportamentos de arrogância de uns que tentam passar a impressão que não necessitam de nada nem ninguém, comportamentos mimados de outros que fazem chantagem emocional com os mais próximos e outros desequilíbrios, como timidez, vergonha, raiva e irritação sem motivos aparentes e muito mais. Cada caso é um caso.

Temos parâmetros que nunca serão alcançados, expectativas que obviamente serão frustradas. Assim uns ficam loucos tentando alcançar metas impossíveis, outros se entregam à acomodação e sensação de fracasso, e normalmente a infelicidade, rejeição e outras sensações permanecem inalteradas.

Entretanto se pudermos sair deste padrão e manipulação e entrar na percepção mais profunda de tudo, poderemos ver que todos e cada um de nós é único. Todos temos nossa bagagem cultural, de educação, meio social, temos capacidades, dons, talentos, qualidades únicas, assim como temos nossos desafios, limitações e aprendizados. E nada disso pode ser comparado ou limitado a qualquer tipo de padrão pré-estabelecido.

E também cada um dá o que tem. Como querer que uma pessoa possa dar a outro algo que ela pode nem ter?

Neste universo das relações e sentimentos que possamos ter cada vez mais discernimento e percepção de nós, do outro e das trocas que podem haver.

Que saibamos aceitar o que cada um tem a nos dar, e aceitar as limitações nossas e dos demais. Que saibamos perceber o que nós temos a dar e o que realmente desejamos receber. O que é realmente importante para nós, para o outro e o que foi imposto e dito como necessário.

Que saibamos ser flexíveis nas relações, independente do nível e do tipo de cada uma. E acima de tudo, que possamos perceber e aceitar o outro como ele é, sem expectativas e desejos de como queríamos que ele fosse. Assim podemos atrair mais disso para nós mesmos.

Quando entramos neste entendimento a rejeição se vai por si só, pois entende que nada é pessoal contra nós. As pessoas são como são. E assim as expectativas também se dissolvem.

A partir deste ponto podemos estabelecer relações dignas e saudáveis, onde podemos ser quem somos, compartilhar o que temos e receber o que cada um a nosso redor tem a dar.

E caso tenhamos a percepção de relações que estejam fora disso, onde haja manipulação, desrespeito, onde só uma parte dá e a outra só recebe, ou não sabe receber, que possamos aceitar e abrir a distância que pensamos ser saudável.

Que em todas as relações e situações possamos ser quem somos, compartilhar o que temos de forma leve, generosa e saudável. Que assim como damos, que possamos receber e aceitar o que o outro tem a nos oferecer. Podemos crescer muito com trocas dignas, sem expectativas nem comparações.

Com amor,

Liliana Bauermann

(Um tratamento pode reequilibrar questões profundas de rejeição, abandono, bloqueios e traumas desta e/ou de outras vidas. Entre em contato para mais informações).

São Paulo, 02 de março de 2017.
Imagem: Pixabay 

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